Usabilidade em interfaces

Galera, tode volta =] Bem, hoje vou falar um pouco sobre usabilidade em interfaces, ou seja, em sites =p Bora? Afinal, o que é usabilidade? Para que se possa falar sobre usabilidade primeiro vou garantir que todos saibam o que é usabilidade trazendo a definição de krug (2006 p. XIV) onde afirma que: […] usabilidade […]

Galera, tode volta =]

Bem, hoje vou falar um pouco sobre usabilidade em interfaces, ou seja, em sites =p Bora?

Afinal, o que é usabilidade?

Para que se possa falar sobre usabilidade primeiro vou garantir que todos saibam o que é usabilidade trazendo a definição de krug (2006 p. XIV) onde afirma que:

[…] usabilidade significa na verdade assegurar-se de que algo funcione bem: que uma pessoa com pouca habilidade e experiência comuns (ou até menos) possa usar algo – seja um website, um caça a jato ou uma porta giratória para seu propósito desejado sem ficar frustrada com isso.

Complementando a ISO 9241 apud Cybis (2003, p. 2) trata usabilidade como “a capacidade que um sistema interativo oferece a seu usuário, em um determinado contexto de operação, para a realização de tarefas, de maneira eficaz, eficiente e agradável.”, ainda nesse pensamento Amstel (2005a, p. 1), afirma ainda que “Usabilidade é sinônimo de facilidade de uso. Se um produto é fácil de usar, o usuário tem maior produtividade: aprende mais rápido a usar, memoriza as operações e comete menos erros.”. Visto que usabilidade é a segurança de que um produto, ou interface funcione bem, e ao mesmo tempo significa facilidade de uso, pode-se de fato iniciar um estudo sobre sua aplicação em interfaces digitais.

Usabilidade aplicada a interfaces digitais

Usabilidade é um termo muito relativo, porquê uma interface nunca será fácil para todos, devido à capacidade individual de aprendizado, complementando essa idéia Amstel (2005a p. 1) descreve em seu artigo que:

Usabilidade é uma medida relativa. O mouse é fácil de usar, mas para quem? Um TrackBall pode ser mais fácil de usar por quem tem deficiência motora ou sofre de LER. A interface ideal é aquela que está adaptada às necessidades de seus usuários. O usuário de terceira idade pode precisar de textos com letras maiores e o usuário com desvantagem cognitiva pode precisar de alguns textos de ajuda a mais.

Portanto pode-se levar em consideração que uma interface, para ter usabilidade, deve ser de fácil manuseio, intuitiva, ou seja, de fácil aprendizado e flexível a experiência do usuário adaptando-se a suas necessidades e método de trabalho.

Importância de se aplicar usabilidade

Nielsen (2000, p. 44) alerta sobre usabilidade dizendo que se usuários “[…] não conseguirem descobrir como usar um website em aproximadamente um minuto, concluem que não vale a pena gastar seu tempo. E saem.”. Visto assim uma evidente evasão de usuários, e com sigo receita, causada pela simples negligência projetual, cria-se uma linha lógica indiscutível ligando a importância de usabilidade para interfaces digitais voltadas para internet ainda na fase de concepção. Complementando a ideologia Nielsen (2000, p.9), ainda diz que:

A usabilidade governa a Web. Mais diretamente, se o cliente não encontrar o produto, ele não o comprará. A Web é o ambiente no qual o poder do cliente se manifesta no mais alto grau. Quem clica no mouse decide tudo. É tão fácil ir a outro lugar; todos os concorrentes do mundo estão a um simples clique do mouse.

Devido ao alto grau de importância envolvendo usabilidade a projetos de interfaces, trago a vocês algums normas e sugestões para tornar um projeto eficaz, ou seja, mais usável. Nielsen (2000, p. 42) diz que: “[…] a meta mínima para os tempos de resposta deve ser obter páginas para os usuários em não mais do que 10 segundos, pois esse é o tempo limite da capacidade humana de prestar atenção enquanto espera”. Ou seja, as páginas não poderão ser sobrecarregadas de elementos multimídia e imagens de alta definição, pois as mesmas atrasam o carregamento e aumenta o número de evasão de usuários.

Um website para ser intuitivo deve ter elementos uniformes em seu contexto, um dos grandes problemas de navegação são ironicamente os hiperlinks, devido a uma má formatação, geram confusão nos usuários, que não conseguem identificar onde estão, para onde foram e de onde vieram. Como sugestão de formatação Nielsen (2000, p. 62) trás a importância de formatações diferenciadas e seus benefícios na experiência do usuário, comentando que “os links às páginas que o usuário ainda não viu são geralmente exibidos em azul, ao passo que os links às páginas que o usuário já viu são geralmente exibidos em roxo ou vermelho. É importante para usabilidade da web manter esse código cromático”. Porém seguir essa recomendação a rigor pode causar uma desarmonia com o restante do layout levando assim a poluição visual da página. Então como solução parcial defende-se a aplicação dos códigos cromáticos para links visitados e não visitados, Nielsen (2007, p. 205) complementa dizendo:

Quando as pessoas não sabem o que é clicável em um site, precisam se esforçar mais e fazer suposições. Elas podem facilmente não perceber o que estão procurando, desistir prematuramente ou pensar que exploraram todas as opções quando não o fizeram.

Um elemento amplamente discutido no desenvolvimento de sites é a adequada formatação de textos na web, Nielsen (2000, p. 104) afirma que “[…] os usuários tendem a não ler totalmente fluxos de texto. Em vez disso, passam os olhos pelo texto e escolhem palavras-chave, sentenças e parágrafos de interesse enquanto pulam as partes do texto que menos lhe interessam”. Sendo assim uma página deve ser clara e objetiva, e com poucos textos informar o seu propósito e o motivo pelo qual o usuário deve prosseguir com a leitura, complementando Nielsen (2000, p. 104) indica “artigos com dois ou até três níveis de títulos (um título geral de páginas mais subtítulos – e subtítulos quando apropriado).”

Um título além de ferramenta de navegação deve dizer ao usuário o que será encontrado na página em questão, portanto deve ser sucinto e objetivo. A aplicação de objetos publicitários ou enganosos aqui pode acarretar na evasão imediata do usuário, chegando até mesmo ao extremo de não mais contar com a visita subseqüente do mesmo, concluindo títulos está a afirmação de Nielsen (2000, p. 106) alertando, “Use títulos significativos em vez de ‘bonitinhos’. A leitura de um título deve dizer ao usuário do que se trata a página ou sessão” reafirmando a importância do uso correto dos títulos.
Se tratando de usabilidade, deve-se também citar outra ciência que complementa usabilidade, conforme Leonard & Digdy (1992) apud Moraes (2001, p. 16) “a ergonomia desempenha um papel importante na garantia de usabilidade, e conseqüentemente, melhor performance para produtos de consumo”, no caso, o website para o jornal. Complementando Moraes (2001, p. 18) afirma que:

A ergonomia e usabilidade de sistemas informacionais trata5 da comunicação homem-máquina em outros suportes que não os computadores. Pesquisas sobre linguagem iconográfica e verbal, localização, legibilidade das famílias tipográficas (considerando diversas aplicações), avisos e advertências (destaques e obediência versus negligência), manuais de instrução, sistemas de sinalização de orientação e
segurança.

De fato a ergonomia complementa os princípios da usabilidade, assim como também a
arquitetura da informação tópico esse abordado adiante. Contudo, ergonomia está presente em diversas outras áreas do design com objetivo de melhorar a forma com que se uma peça, no caso a interface, funcione com o máximo de eficiência e conforto. Usando para isso estudos sobre o corpo e a mente no caso da ergonomia cognitiva. Para este projeto será adotada a definição de Laville (1977, p. 6) para a qual a ergonomia trata-se do “[…] conjunto de conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários à concepção de instrumentos, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de conforto, segurança e eficiência”.

Cybis (2003, p. 31-38) dedica um capítulo de sua apostila para descrever os critérios
ergonômicos de Bastien e Scapin. Esses se tratam de um checklist6 de atributos ergonômicos que uma interface deverá possuir para uma melhor interação humano-computador. Em resumo ao capítulo de Cybis a seguir será apresentada uma tabela com os critérios ergonômicos.

Critérios ergonômicos

1. Condução A interface aconselha, orienta, informa e conduz o usuário na interação com o computador possibilitando:- a localização do usuário;- conhecimento das ações permitidas;Obtenção de informações suplementares. A condução pode ser obtida por presteza, feedback imediato, legibilidade e ou agrupamento/distinção de itens.

  • Presteza permite ao usuário identificar o estado ou contexto na qual se encontra dentro da interface.
  • Feedback imediato consistem em respostas da interface em meio a uma ação do usuário.
  • Legibilidade consiste no uso de textos e fundos em tonalidades adequadas para garantir uma boa leitura.
  • Agrupamento/distinção de itens consiste na ordenação, posicionamento e distinção dos objetos que compõem a interface. Essa organização pode ser dada por localização dos elementos ou pelo formato dos mesmos.
2. Carga de trabalho Proporciona ao usuário apenas informações relevantes para diminuir a probabilidade de erros. Essa pode ser avaliada por brevidade (concisão e ações mínimas) e ou densidade informacional.

  • Brevidade consiste no respeito do softwares perante as limitações cognitivas do homem, como a memória de curto tempo. A brevidade é dividida em concisão e ações mínimas, concisão trata-se da carga perceptiva e cognitiva dos elementos da interface. Ações mínimas tratam-se da quantidade de etapas para um usuário concluir uma tarefa.
  • Densidade informacional consiste na quantidade de elementos apresentados ao usuário por uma interface, quanto maior a densidade informacional maior a probabilidade de erros e frustrações
3. Controle explícito Proporciona ao usuário o total controle da interface, ou seja, todas as suas ações devem partir do interesse do usuário e não contra sua vontade. O controle explícito é dividido em ações explícitas do usuário e controle do usuário.

  • Ações explícitas do usuário consiste processar apenas as ações solicitadas pelo operador, no caso o usuário.
  • Controle do usuário consiste em dar ao usuário total controle sobre o processamento das ferramentas dessa interface.
4. Adaptabilidade Diz respeito a capacidade da interface em adaptar-se para atender um usuário com diferentes limitações. A adaptabilidade é dividida em flexibilidade e consideração da experiência do usuário.

  • Flexibilidade consiste em personalizar a interface e adaptá-la para atender suas necessidades.
  • Consideração da experiência do usuário consiste em proporcionar ferramentas avançadas para usuários avançados e respeitar o conhecimento adquirido por esse usuário.
5. Gestão de erros Tratam-se de ferramentas e mecanismos que permitem evitar ou reduzir a ocorrência de erros, e caso ocorram, permitam sua correção. A gestão de erros é dividida em proteção contra erros, qualidade das mensagens de erro e correção dos erros.

  • Proteção contra erros diz respeito aos mecanismos empregados para detectar e prevenir erros de entrada de dados ou comandos.
  • Qualidade das mensagens de erro consiste nas respostas geradas pela interface quando é detectado um erro, e sua familiaridade com o repertório deste usuário.
  • Correção de erros consiste para interface ferramentas que permitam a correção de erros realizados por seus usuários.
6. Homogeneidade / coerência Consiste na capacidade da interface de manter suas principais características ao decorrer de suas telas, facilitando com isso o aprendizado do usuário.
7. Significado de códigos e denominações Os códigos, denominações e termos usados pela interface deverão fazer parte do repertório do usuário do sistema.
8. Compatibilidade Trata-se da capacidade da interface de se fazer compreender dentro das limitações cognitivas dos usuários.

Referências

AMSTEL, Frederick Van. Afinal o que é usabilidade Site Usabilidoido. Disponível em: <HTTP://www.usabilidoido.com.br/afinal_o_que_e_usabilidade.html>. Acesso em: 15 maio
2008, 2005a.

CYBIS, Walter de Abreu. Engenharia de usabilidade, uma abordagem ergonômica. Florianópolis: Labiutil, Laboratório de Utilizabilidade, 2003. 142 p. Trabalho não publicado.

KRUG, Steve. Não me faça pensar: uma abordagem de bom senso à usabilidade na web. Rio de Janeiro: Alta Books, 2006.

LAVILLE, Antoine. Ergonomia. São Paulo: EPU, 1977.

MORAES, Anamaria; FRISONI, Bianka Cappucci. Ergodesign: produtos e processos. Rio de Janeiro: 2AB, 2001.

NIELSEN, Jakob. Projetando websites. 2ª edição. Rio de Janeiro: Campus, 2000.

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